Vitamina D, a “queridinha” da ciência


Certamente alguém já deve ter comentando contigo que está suplementando vitamina D. Mas afinal, porque tantas pessoas estão recebendo suplementação dessa vitamina ? Por que só agora os cientistas estão dando importância à Vitamina D.

Primeiramente devemos deixar claro que a Vitamina D foi classificada erroneamente como Vitamina. Na verdade é um pró-hormônio, um composto que dará origem a vários hormônios que atuam em pontos diferentes do organismo.

O nome da vitamina foi criada pelo bioquímico polonês Casimir Funk em 1912, baseado na palavra em latim vita (vida) e no sufixo -amina. Foi usado inicialmente para descrever estas substâncias do grupo funcional amina, pois naquele tempo pensava-se que todas as vitaminas eram aminas. Apesar do erro, o nome manteve-se.

Recentemente a queridíssima dos cientistas estampou a capa de uma das principais revistas brasileiras: Revista IstoE de 08/08/12

Conforme lido na capa, tal substância tem múltiplas ações, ou seja, os livros de medicina terão que ser atualizados assim como os docentes, já que até alguns anos atrás acreditava-se que a Vitamina D limitava-se à formação dos ossos e dentes. Muitos médicos estão solicitando a dosagem dos níveis de vitamina D em seus pacientes e colocando tal prática como rotina, semelhante à solicitação da dosagem de colesterol, triglicérides e glicemia.

Mas o que sustenta todo esse alvoroço acerca da vitamina D?

Bem, um dos achados mais reveladores e que ajuda a sustentar a nova atitude dos médicos, surgiu de um trabalho de cientistas da Universidade de Oxford (Inglaterra). O grupo coordenado pelo Dr. Andreas Heger, sequenciou o código genético humano para averiguar quais regiões do DNA apresentavam receptores para a Vitamina D. Receptores são uma espécie de fechadura química só aberta por chaves compatíveis, nesse caso, a vitamina D. O time de Oxford descobriu nada menos do que 2.776 PONTOS DE LIGAÇÃO com receptores de vitamina D ao longo do genoma. Segundo o Dr. Andreas Heger, a pesquisa mostra de forma dramática a ampla influência que ela exerce sobre a saúde humana. O estudo foi publicado na renomada revista “Genome Research“.

A reportagem da revista IstoÉ traz alguns dados interessantes acerca da vitamina e o link para a reportagem segue após as imagens.

Reportagem disponível em: http://www.istoe.com.br/reportagens/226714_A+PODEROSA+VITAMINA+D?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

Deficiência de Vitamina D como fator de risco para múltiplas patologias


Hipertensão arterial

Bem, um artigo publicado pelo American Heart Association em 2009 mostrou que a deficiência de vitamina D na menopausa pode aumentar o risco de desenvolvimento de hipertensão arterial  sistólica (identificada pelo maior valor numérico verificado durante a aferição de pressão arterial), provavelmente pela ativação de um sistema (sistema renina-angiotensina-aldoesterona) que está ligado à gênese de alguns casos de hipertensão arterial. Desde então praticamente diariamente a Pubmed indexa artigos sobre o tema: Vitamin D. Na pesquisa 559 mulheres que tinham em média 38 anos em 1992 foram acompanhadas por meio da aferição anual da pressão sanguínea e do nível de vitamina D no corpo. Os grupos foram controlados observando a idade, o uso de medicação para hipertensão e o tabagismo.

Aquelas mulheres que na fase pré-menopausa foram diagnosticadas no início do estudo como portadoras de déficit de vitamina D, tinham o triplo de chance de desenvolver Hipertensão arterial sistólica, após 15 anos. Quando comparadas as que tinham níveis adequados de vitamina D. “Esse estudo é diferente de outros realizados, por acompanhar os indivíduos durante um longo tempo – o maior registrado até agora – e os resultados mostram que essa deficiência em vitamina D está ligada ao aumento do risco de pressão alta na meia-idade” afirma Flojaune Griffin, da Universidade de Michigan, EUA.

A deficiência em vitamina D entre as mulheres é um problema comum. Alguns pesquisadores indicam como causa a falta de exposição à luz do sol ou dietas restritivas e hábitos alimentares que podem não suprir a necessidade ideal da vitamina (já que habitualmente não possuímos uma dieta com boas fontes de vitamina D).

A sintetização dessa vitamina acontece tanto na pele – pela exposição aos raios ultravioleta do sol – quanto pela ingestão diária de alimentos ricos na substância. A produção de vitamina D pode variar de acordo com os fototipos de pele:

Para uma pessoa fototipo II (Caucasiano), a exposição de 6% (cada Mão corresponde a 1 %) da superfície cutânea a uma exposição de 24 minutos em um índice UVB de 6, resulta na produção de 600 IU vitamina D por dia. Fototipos mais altos precisam de maior tempo de exposição.

Um estudo recente também evidenciou que Níveis de 25-OH-vitamina-D são inversamente associados a hipertensão arterial: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21191311

Outro estudo também publicado em 2010 fez uma breve revisão sobre os efeitos anti-hipertensivos da Vitamina D e eles incluem: supressão da renina, supressão dos níveis hormonais da paratireóide, efeito renoprotetor e vasoprotetor, ação anti-inflamatória. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21090935

O American Heart Association elaborou um material sobre Correlação da Vitamina D com doenças cardiovasculares: http://www.americanheart.org/downloadable/heart/1259606448237Vitamin%20D%20and%20CVD%20INAP%20Nov%2009.pdf

Como já citado no começo do post, diariamente são publicados estudos que correlacionam a deficiência de vitamina D com diversas doenças:

Estudo recente de 2011, mostrou que a Vitamina D influencia na atividade da telomerase. Mas o que são tais enzimas? As extremidades dos cromossomos, denominadas telômeros, consistem em seqüências repetitivas especializadas de DNA, sendo úteis na manutenção da integridade do cromossomo. Na ausência da enzima  telomerase, os telômeros encolhem a cada divisão celular. Eventualmente, as células param de se dividir quando percebem que seus telômeros são muito pequenos para manter a integridade do cromossomo. Em contrapartida, a telomerase mantém o comprimento do telômero adicionando nucleotídeos, um de cada vez, às extremidades do cromossomo, de maneira regular.

A deficiência de telomerase é associada ao envelhecimento, a morte celular, obesidade, doenças cardiovasculares, depressão e diabetes. No estudo, os pesquisadores perceberam que a suplementação de Vitamina D aumentou a atividade da telomerase em 19% e com isso os autores postularam que a Vitamina D pode diminuir a senescência celular.

Níveis séricos de 25-hidroxivitamina D (25-OH-Vitamina D)

A deficiência de vitamina D está cada vez mais evidente nas pesquisas e nos pacientes. É cada vez mais comum encontrar pessoas com menos de 30ng/ml de vitamina D séricas (25-OH-Vitamina-D). Há controvérsias na literatura quanto à concentração sérica ideal de vitamina D, porém segundo a Sociedade Americana de Endocrinologia o patamar deve ser elevado de 30ng/ml para 50ng/ml. Se utilizamos esse patamar, aproximadamente 95% dos pacientes atendidos na nossa clínica (Clínica de Ecologia Médica) se enquadrará no grupo de portadores de deficiência de Vitamina D.

Recomendações dietéticas As recomendações dietéticas  (RDAs; cobrindo as necessidades de =97.5% da população ) para vitamina D do 2011 Report on Dietary Reference Intakes for Calcium and Vitamin D from the Institute of Medicine, publicado no J Clin Endocrinol Metab. 2011 January; 96(1): 53–58 são:

  • 600 IU/d para idades de 1 até 70anos
  • 800 IU/d  para pacientes acima de 71 anos
  • O limite máximo foi elevado de 2.00 para 4.000UI por dia.

Ao ingerir ou produzir tais quantidades de vitamina D, isso corresponderia no sangue a uma 25-hidroxivitamina D (sigla = 25(OH)vit D) de pelo menos 20 ng/ml (50 nmol/litro). Os médicos devem ter em mente que geralmente 100UI (2,5 mcg) de Vitamina D por dia elevam a 25-OH-Vitamina D em apenas 1ng/ml (2,5nmol/L) após 2 a 3 meses (o que ocorre realmente na prática).

Frequentemente atendemos pacientes que já estão em uso de Vitamina D há vários meses e os níveis sérico de 25-OH-vitamina D não se elevam. Na clínica de ecologia médica seguimos a tabela publicada numa revisão sobre vitamina D e disponível em: http://entiabio.com/images/Vitamin_D_A_Rapid_Review.pdf

  • 100UI por dia durante 2 a 3 meses, eleva os níveis sérico de vitamina D em 1 ng/ml (2.5 nmol/L).
  • 200UI por dia durante 2 a 3 meses, eleva os níveis sérico de vitamina D em 2 ng/ml (5 nmol/L).
  • 400UI por dia durante 2 a 3 meses, eleva os níveis sérico de vitamina D em 4 ng/ml (10 nmol/L).
  • 500UI por dia durante 2 a 3 meses, eleva os níveis sérico de vitamina D em 5 ng/ml (12.5 nmol/L).
  • 800UI por dia durante 2 a 3 meses, eleva os níveis sérico de vitamina D em 8 ng/ml (20 nmol/L).
  • 1000UI por dia durante 2 a 3 meses, eleva os níveis sérico de vitamina D em 10 ng/ml (25 nmol/L).
  • 2000UI por dia durante 2 a 3 meses, eleva os níveis sérico de vitamina D em  20 ng/ml (50 nmol/L).

Atenção para as Unidades (nmol/ml e ng/ml)

Mas diversas outras publicações, inclusive com grandes meta-análises, aceitam níveis de 25(OH) vit D entre 75 e 200 nmol/l (30 a 70 ng/ml), com insuficiência abaixo de 75 nmol/l e deficiência abaixo de 25 nmol/l.  E descrevem que o nivel de 75 nmol/l nao foi estabelecido de modo arbitrário, corresponde ao nível sérico abaixo do qual o paratormônio  é estimulado pela falta de vitamina D.

Estudos sugerem que níveis séricos de pelo menos 90 (ou 36ng/ml) ou 100 nmol/l (40ng/ml) são necessários para aperfeiçoar o metabolismo de cálcio e fósforo, reduzir osteoporose, proteger contra fraturas patológicas e também melhorar a prevenção de doenças auto-imunes (diabetes, esclerose múltipla, lúpus, artrite reumatóide etc.), cânceres (cólon, mama, próstata) e outras síndromes comuns (astenia, depressão, hipertensão) e infecções em geral. http://www.discoverymedicine.com/Prue-H-Hart/2012/06/14/vitamin-d-supplementation-moderate-sun-exposure-and-control-of-immune-diseases/

Países nórdicos têm níveis baixos de vitamina  D (44 nmol/l no verão e 24 nmol/l no inverno) na Finlândia (n = 220 homens jovens). Já os adultos de países tropicais  têm níveis muito mais elevados (105 nmol/l em mulheres e 168 nmol/l (67ng/ml) em homens) na Tailândia (n = 158 adultos) e mais de 100 nmol/l em vários grupos de crianças e adolescentes no Brasil, inclusive grupos mal nutridos (n = 638).

Por estes estudos observamos que os níveis de vitamina D obtidos pela exposição solar atingem concentrações séricas mais elevadas, sem riscos de toxicidade. Porém na prática percebemos que mesmo pacientes que possuem exposição diária ao Sol, apresentam níveis deficientes de vitamina D.

Qual seria a razão? Tempo insuficiente de exposição solar? A qual horário do dia eles se expõem (sol da manhã, do meio dia ou final da tarde ?). Alguns especialistas acreditam que o melhor sol (infelizmente) é o do meio dia e a produção varia com o fototipo do paciente. A recomendação que os endocrinologistas estão dando é:

  • Suplementar Vitamina D via oral sob supervisão médica
  • OU
  • Expor parte dos corpo (braços e pernas, por exemplo) entre 20 a 30 minutos ao sol diariamente, preferencialmente das 11:00 às 13:00, sem filtro solar. Alguns especialistas acreditam que pelo fato da mesma ser lipossolúvel, tomar banho logo em seguida reduz drasticamente a produção, devendo o paciente permanecer por no mínimo 8 horas sem tomar banho, após a exposição.
  • Por receio do câncer de pele, há uma corrente que sugere até 15 minutos de Sol sobre 15% da superfície da pele (equivale a 2 braços) pelo menos 3 vezes por semana, com filtro-solar e usar a suplementação;

Se a deficiência em adultos já é grave (vitamina D é preventivo de câncer, de diabetes, de osteoporose, e vários outros), imagine nas crianças onde o corpo está todo sendo preparado para a fase adulto e o envelhecer com saúde!? Portanto, peça para o seu médico dosar a sua 25(OH)vitamina D !

Em 2010 surgiram novos valores para a Ingesta diária recomendada (IDR) de Vitamina D e cálcio.

Porém aqui também existem controvérsias, em menos de 2 anos, 3 estudos mostraram que a suplementação de Cálcio isolado (ou Cálcio + Vitamina D) aumentam o risco de infarto agudo do miocárdio. Mais uma vez corroborando com algo que a ortomolecular fala há praticamente 30 anos (sim, 3 décadas). Nunca deve-se administrar cálcio isolado, osso não é feito apenas de cálcio e leite não é e jamais será a melhor fonte de cálcio.

Fontes de Vitamina D

1) SOL: A forma mais fácil de gerar vitamina D, e os dermatologistas que me perdoem, é a exposição ao sol, sem protetor solar, sem a interposição do vidro (por exemplo, do lado de dentro da janela, pois o vidro impede a passagem do raio UV), durante 15 minutos, 3 vezes por semana, em face, braço e colo, que chega a provocar eritema em pele. É importante salientar que os raios UVB não tem aspectos positivos apenas no que tange a Vitamina D.

Estudos recentes mostram efeito hipotensor pelos raios, via aumento da produção de óxido nítrico, com isso melhorando a saúde cardiovascular. Além disso há estudos evidenciando efeito antimicrobiano e até mesmo ação como neurotransmissor, aumentando a produção de endorfinas e modulando o humor: http://www.landesbioscience.com/journals/dermatoendocrinology/article/20013/?show_full_text=true&

2) Fontes alimentares (na tabela abaixo)

Infelizmente as fontes alimentares de vitamina D são apenas os peixes, ovos e fígado.

Um cáculo simples de uma dieta para uma criança entre 2 e 3 anos (pelas nodas IDRs ela precisaria de 15mcg/dia ou 600UI/dia):

  • 1 ovo tem cerca de 26UI de vitamina D que dão cerca de 0,65mcg de vitamina D.
  • 50g de sardinha (e só há boa quantidade de vitamina D em peixes gordos, mesmas fontes de ômega-3, como salmão, sardinha e atum) tem cerca de 2,5mcg de vitamina D.

Somando teriamos 3mcg, e o que ainda faltaria 12mcg para alcançar os 15mcg necessários para uma criança de 2 a 3 anos. Ou seja, a criança precisa consumir ovo e peixe quase diariamente, e para variar, trocar um destes dois por fígado, tomar sol, além de consumir algum alimento enriquecido com vitamina D.

Complicado, pois quem garante que o ovo de granja terá 20UI de Vitamina D ? Quem garante que sardinhas “possivelmente contaminadas” tenham 2,5mcg de Vitamina D ? Tem ainda a questão do Ovo ser  um alimento alergênico para alguns…Portanto dentre as políticas de saúde pública está a fortificação de alguns alimentos com ácido fólico e vitamina D.

Bibliografia

Visite:  http://www.ecologiamedica.net/ e http://www.ligadasaude.blogspot.com 

Dr. Frederico Lobo - Nutrólogo Joinville
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